segunda-feira, junho 28, 2004

De Volta ao Carlos Tê e ao Rui Veloso

Trovas Vicentinas

Vós que vos ides por ganância
Debaixo da capa do cruzado
Buscando no incerto e na distância
A mina delirante do el dourado

Vós que deixais só na rectaguarda
Um farto giniceu desamparado
Não sentis testa que vos arda
Durante o sono repousate do soldado

Ouvi este lado trovador
Por feitos de além - mar pouco tentado
Não se deixa uma esposa sem amor
Com o trevo da mocidade eriçado

E vê-las no poleiro das janelas
Gastando seus furores em vãs intrigas
É vê-las nas ribeiras com as barrelas
Contando oq ue só deus sabe às amigas

Quanta malícia mal ardida
Tangem seus olhares pelas esquinas
Soubesseis os sorrisos de fugida
Que delas merecem minhas rimas

E vieis que melhor que a riqueza
É ter alguém à noite na cama
Que o diga a presunçosa e vã nobreza
Que goza a especiaria ao pé da dama

Por isso se as testas vos ardem
No lume verrinoso do adultério
Às línguas viperinas que vierem
Dizei que ardem pela grandeza do império

1 comentário:

Jorge Ramiro disse...

Eu gosto muito da poesia. Eu não sou um profissional, mas eu participo de competições, uma vez por mês em um bar em Pinheiros. Uma vez eu ganhei o concurso.