segunda-feira, setembro 24, 2007

Saindo de navio chegando de avião
«ESTÃO PODRES AS PALAVRAS....»

Estão podres as palavras - de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras - como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece a mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homens entre o céu e a terra.

Jorge de Sena

sexta-feira, setembro 14, 2007



Greguerías

Si vais a la felicidad llevad sombrilla.
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El reloj es una bomba de tiempo, de más o menos tiempo.
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Después de la emigración no queda más que la transmigración.
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Los recuerdos encogen como las camisetas.
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La felicidad consiste en ser un desgraciado que se sienta feliz.
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El reloj no existe en las horas felices.
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Somos lazarillos de nuestros sueños.
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Aburrirse es besar a la muerte.
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Los monos no encanecen porque no piensan.
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La manera de curarse el corazón es ahorrando presentimientos.
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Nostalgia: neuralgia de los recuerdos.
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El sueño es un depósito de objetos extraviados.
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El filósofo antiguo sacaba la filosofía ordeñándose la barba.
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Hay que ser un poco idiota en la vida, pues si no se aprovechan los demás y lo son sólo ellos.
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Era tan moral que perseguía las conjunciones copulativas.
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Genio: el que vive de nada y no se muere.
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La vida obliga a la prisa de vivir porque el pan en seguida se pone duro.
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Si te conoces demasiado a ti mismo, dejarás de saludarte.
Ramón Gómez de la Serna

Nota: Greguerías san textos hechos de juegos de palabras. Ramón Gómez de la Serna ha compuesto, con ingeniosa inteligencia, un montón de frases llenas de sentido y humor y sobre los más diversificados temas. La greguería, como quedo conocida la arte de jugar con las palabras pasado Ramón de la Serna, es hoy muy utilizada por muchos humoristas en otros tantos países latinos, para hacer lo que es conocido por humor sin sentido o “humor non sense” para utilizar la expresión inglesa.
En el prologo de su autobiografía, Ramón Gómez de la Serna escribió: Titulo este libro "Automoribundia", porque un libro de esta clase es más que nada la historia de como ha ido muriendo un hombre.
En el epilogo, en 10 de junio del 1948, sigue filosofando sobre la vida, la suya y las nuestras: En resumidas cuentas, viví y no supe lo que era vivir.Sin embargo, el gran consuelo de perder la vida es que uno muere pero los grandes ideales van a seguir viviendo, y nunca el mal podrá en definitiva con el bien.
No se muere por una enfermedad sino por cansancio de vivir, porque la vida quiere dormir, ¡dormir!, dormir en la muerte.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Barreiro da Faneca
A Rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinicius de Moraes

terça-feira, setembro 11, 2007

Azevinho-Ilex perado

Vinícius

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amor próximo distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

segunda-feira, setembro 10, 2007


A palavra impossível


Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra da verdade.

Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce -
A Palavra que nunca se profere.



Adolfo Casais Monteiro

sexta-feira, setembro 07, 2007

2007.09.05 041
O Tempo não sabe nada

o tempo não sabe nada
o tempo não tem razão
o tempo nunca existiu
é da nossa invenção

se abandonarmos as horas para nos sentirmos sós
meu amor o tempo somos nós

o espaço tem o volume
da imaginação
além do nosso horizonte
existe outra dimensão

o espaço foi construído sem princípio nem fim
meu amor tu cabes dentro de mim

o meu tesouro és tu
eternamente tu
não há passos divergentes para quem se quer encontrar

a nossa história começa
na total escuridão
onde o mistério ultrapassa
a nossa compreensão

a nossa história é o esforço para alcançar a luz
meu amor o impossível seduz

o meu tesouro és tu
eternamente tu
não há passos divergentes para quem se quer encontrar

Jorge Palma