terça-feira, junho 15, 2004

Canção De Marinhar
Carlos Tê / Rui Veloso

Tome-se o astrolábio, meça-se a latura solar
Dê-se mais grau menos grau, conforme o balanço do mar

Imaginem-se latitudes invisíveis meridianos
Que a lenta ciência se apure nos astros e nos oceanos

Rume-se ao sul sidério e às indias orientais
Complete-se o planisfério com todos os novos locais

Proceda-se sempre de acordo como manda o regimento
Fazendo um diário de bordo por causa do esquecimento

Já conheço o sete-estrêlo que me guia e orienta
Hei-de vêr esses bazares de canela e de pimenta

Anote-se boca de rio cabo maré e monção
Costume de gente e feitio tudo fique em relação

E mais o que o medo inventar que o senso há-de aclarar
Assim se descreva e reúna em livro de marinhar

Ao mundo ache-se o centro tire-se até bissectriz
Navegue-se por fora e por dentro como se fosse um país

Alterem-se as dimensões nas cartas e nos roteiros
Até que ele caiba nas canções dos cafés de marinheiros

Já não oiço as sereias já sei traçar o azimute
Faltam poucas luas cheias para chegar a calecute

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