segunda-feira, junho 28, 2004

De Volta ao Carlos Tê e ao Rui Veloso

Trovas Vicentinas

Vós que vos ides por ganância
Debaixo da capa do cruzado
Buscando no incerto e na distância
A mina delirante do el dourado

Vós que deixais só na rectaguarda
Um farto giniceu desamparado
Não sentis testa que vos arda
Durante o sono repousate do soldado

Ouvi este lado trovador
Por feitos de além - mar pouco tentado
Não se deixa uma esposa sem amor
Com o trevo da mocidade eriçado

E vê-las no poleiro das janelas
Gastando seus furores em vãs intrigas
É vê-las nas ribeiras com as barrelas
Contando oq ue só deus sabe às amigas

Quanta malícia mal ardida
Tangem seus olhares pelas esquinas
Soubesseis os sorrisos de fugida
Que delas merecem minhas rimas

E vieis que melhor que a riqueza
É ter alguém à noite na cama
Que o diga a presunçosa e vã nobreza
Que goza a especiaria ao pé da dama

Por isso se as testas vos ardem
No lume verrinoso do adultério
Às línguas viperinas que vierem
Dizei que ardem pela grandeza do império

sexta-feira, junho 25, 2004

À vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfa-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia,
A gente esquece sempre o bom de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Florbela Espanca

quinta-feira, junho 24, 2004

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo
no perpétuo movimento


Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim

passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança

António Gedeão

terça-feira, junho 22, 2004

Fio de vida

Já fiz mais do que podia
Nem sei como foi que fiz.
Muita vez nem quis a vida
a vida foi quem me quis.

Para me ter como servo?
Para acender um tição
na frágua da indiferença?
Para abrir um coração

no fosso da inteligência?
Não sei, nunca vou saber.
Sei que de tanto me ter,
acabei amando a vida.

Vida que anda por um fio,
diz quem sabe. Pode andar,
contanto (vida é milagre)
que bem cumprido o meu fio.

Thiago de Mello

Para desanuviar do TÊ e do RUI e a pedido de várias familias.

segunda-feira, junho 21, 2004

Trovas Vicentinas
Carlos Tê / Rui Veloso

Vós que vos ides por ganância
Debaixo da capa do cruzado
Buscando no incerto e na distância
A mina delirante do el dourado

Vós que deixais só na rectaguarda
Um farto giniceu desamparado
Não sentis testa que vos arda
Durante o sono repousate do soldado

Ouvi este lado trovador
Por feitos de além - mar pouco tentado
Não se deixa uma esposa sem amor
Com o trevo da mocidade eriçado

E vê-las no poleiro das janelas
Gastando seus furores em vãs intrigas
É vê-las nas ribeiras com as barrelas
Contando oq ue só deus sabe às amigas

Quanta malícia mal ardida
Tangem seus olhares pelas esquinas
Soubesseis os sorrisos de fugida
Que delas merecem minhas rimas

E vieis que melhor que a riqueza
É ter alguém à noite na cama
Que o diga a presunçosa e vã nobreza
Que goza a especiaria ao pé da dama

Por isso se as testas vos ardem
No lume verrinoso do adultério
Às línguas viperinas que vierem
Dizei que ardem pela grandeza do império
Mulher De Armas
Carlos Tê / Rui Veloso

O meu amor
Quando se foi
Pela barra desse rio
Disse que vinha
Mas não veio mais
Trocou-me por um navio

Ao meu amor
Não lhe perdôo
Com ele não me ter levado
Sou mulher de armas
Queria ver mundo
Conquistá-lo ao seu lado

Aqui estou eu viúva e orfã
Meu destino é carpir
O dele é nobre
Navega e descobre
E eu nada tenho a descobrir

O meu amor
Onde está ele
Trocou-me por uma quimera
É um mundo de homens
A fazer a guerra
E de mulheres sempre à espera

Ao meu amor
Mando lembranças
Quando sózinha me deito
Queria amar outro
Mas partiram todos
Não ficou nenhum de jeito

Refrão

Meu coração
Como estás tu
Trocado por um convés
Vê minhas armas
Já se calaram
E tu perdeste outra vêz

Quando me lembro
Como tu eras
Mais largo do que esse mar
O amor que tinha
Dei-o à toa
A quem o queria agarrar

Refrão

sábado, junho 19, 2004

Praia Das Lágrimas
Carlos Tê / Rui Veloso


Ó mar salgado eu sou só mais uma
Das que aqui choram e te salgam a espuma

Ó mar das trevas que somes galés
Meu pranto intenso engrossa as marés

Ó mar da indía lá nos teus confins
De chorar tanto tenho dores nos rins

Choro nesta areia salina será
Choro toda a noite séco de manhã

Ai ó mar roxo ó mar abafadiço
Poupa o meu homem não lhe dês sumiço

Que sol é o teu nesses céus vermelhos
Que eles partem novos e retornam velhos

Ó mar da calma ninho do tufão
Que é do meu amor seis anos já lá vão

Não sei o que os chama aos teus nevoeiros
Será fortuna ou bichos-carpinteiros

Ó mar da china samatra e ceilão
Não sei que faça sou viúva ou não

Não sei se case notícias não há
Será que é morto ou se amigou por lá



sexta-feira, junho 18, 2004

Calmaria
Carlos Tê / Rui Veloso

Foi medonha a tempestade que a agulha quase enlouquecia
Era tal o negrume do céu que não havia noite nem dia
Já eu pensava na morte fez-se súbita acalmia
Que nos deixou à sorte sem vento na maresia
Relembrei velhos pilotos relatos destas andanças
Piores que certos maremotos às vezes só certas bonanças
Reparamos os danos nas velas que o vento havia de chegar
Mas foram passando os dias e nós sem nada mais a inventar

E era medonha a calmaria

Segui o vôo de albatroz fisguei peixe-voador
Cantei para ouvir a minha voz recapitulei cada amor
Li a noite constelada na folha do firmamento
Vi a várzea azul semeada de àguas sem movimento
A mando do capitão fizemos procissão
Missa e novena cantada pescamos um tubarão
E depois de o cegar no convés com ele fizemos tourada
Mas do vento de feição é que ninguém sabia de nada

E era medonha a calmaria

Quase a dez dias de pasmo no alto mar sem aragem
Com o sol tisnando a prumo pus fim à minha viagem
Tão farto de calmaria pus o pé na amurada
E ali me fui na lezíria que o mar se fez margem lavrada

Calentura, calentura, calentura

quinta-feira, junho 17, 2004


Faena De Mar

Carlos Tê / Rui Veloso


Fiz-me à estrada de lisboa sem um chavo na algibeira queria aprender um ofício e fazer uma carreira
Vindo do ribatejo lá onde o touro se pega
Picado pela fome e a fugir da peste negra

Ao fim de três semanas vivia de caridade
Com a turma de mendigos que pedia pela cidade
Ouvi lêr um edital na rua dos tintureiros
A pedir gente de brega soldados e marinheiros

Pelo soldo pela comida sem medo de ir à aventura
Era mesmo essa a vida de que eu vinha à procura
Ao passar no cais de alfama vi grandes preparativos
Dei o nome ao escrivão e juntei-me aos efectivos

Aguenta toureiro ensaia a tua faena
O touro é sendeiro e escorrega muito a arena
Toureia o destino improvisa a tua finta
É sobre o joelho que melhor se tira a pinta

Veio o dia da largada ondulavam os pendões
Faltava gente à armada tiveram de ir às prisões
Arrebanhar voluntários entre a nata da escumalha
Rufiões e salafrários grandes barões da navalha

Havia choro no cais e despedidas sem fim
E eu triste e feliz por ninguém chorar por mim
Pouco antes de zarpar foi tudo benzido a bordo
Dizem que azul é o mar mas quem me diz onde é bombordo

Aprendi depressa as lides como deve um bom peão
Conhecer a manha ao bicho é ter meia salvação
Já navega a nossa armada tão vistosa e colorida
Com tão nobre guarnição ninguém a leva de vencida

Aguenta marujo faz das tripas coração
A pátria é pequena mas o improviso não
Aprende-se mais com os portugueses num dia
Do que se aprende com romanos em cem anos

quarta-feira, junho 16, 2004


Cruzeiro Do Sul

Carlos Tê / Rui Veloso


Sou um pobre timoneiro
Na noite imensa do mar
A sul da minha solidão o cruzeiro
Luz no céu para me guiar
Lanterna de navegar
Alivia-me a pressão
Que o leme está a queimar
Estamos longe do destino
E eu não sei onde é que isto vai parar

Cruzeiro do sul

Lua não troces de mim
Tão longe de casa eu sei
O medo dança com as sombras
E eu vejo o que inaginei
Estou sózinho junto ao leme
Não é tempo de poetas
Já tombaram mais de dez
E nós ainda aqui às voltas
Procurando coisas que deus não fez

Cruzeiro do sul

terça-feira, junho 15, 2004

Canção De Marinhar
Carlos Tê / Rui Veloso

Tome-se o astrolábio, meça-se a latura solar
Dê-se mais grau menos grau, conforme o balanço do mar

Imaginem-se latitudes invisíveis meridianos
Que a lenta ciência se apure nos astros e nos oceanos

Rume-se ao sul sidério e às indias orientais
Complete-se o planisfério com todos os novos locais

Proceda-se sempre de acordo como manda o regimento
Fazendo um diário de bordo por causa do esquecimento

Já conheço o sete-estrêlo que me guia e orienta
Hei-de vêr esses bazares de canela e de pimenta

Anote-se boca de rio cabo maré e monção
Costume de gente e feitio tudo fique em relação

E mais o que o medo inventar que o senso há-de aclarar
Assim se descreva e reúna em livro de marinhar

Ao mundo ache-se o centro tire-se até bissectriz
Navegue-se por fora e por dentro como se fosse um país

Alterem-se as dimensões nas cartas e nos roteiros
Até que ele caiba nas canções dos cafés de marinheiros

Já não oiço as sereias já sei traçar o azimute
Faltam poucas luas cheias para chegar a calecute

segunda-feira, junho 14, 2004

Lançado
Carlos Tê / Rui Veloso


Cometi crime de amor à morte fui condenado
Mas antes do cadafalso a um capitão fui chamado
Que partia para a guiné e me prometeu perdão
Se fosse numa galé e aceitasse a missão
De à sorte ser lançado na má terra do gentio
Sózinho e abandonado durante meses a fio

Entre o inferno e o algóz dançava meu triste fado
Medi os contras e os prós e escolhi ser lançado
E assim fui embarcado até às costa da guiné
E em terra fui deixado com biscoito medo e fé
Com ordem de haver língua com todas as criaturas
Saber das fontes do ouro e conhecer essas culturas

Refrão:
Fui lançado às feras o mato foi a minha casa
Não havia primavera nem outono
E era sempre um estio em braza

Venci as febres do mato e o veneno das cobras
Cativo levei mau trato paguei pelas minhas obras
Das gentes tornei-me amigo com artes que já nem sei
E ao fim de muitos meses era visita dum rei
Fiz-me amante de gentia com ela juntei fazenda
A vida até já sorria feliz era a minha emenda

O batel chegou um dia para saber se eu era vivo
E nas areias da baía foi um encontro festivo
Regressei a portugal com ideia de ficar
E ao infante contei tudo do que pudera indagar
E tal foi o meu sucesso que el-rei me deu perdão
Mas mandou-me de regresso e eu não pude dizer não

Refrão

Mandou-me o senhor infante em companhia de abade
Que baptizou toda a gente e aumentou a cristandade
" que boa colheita de almas ! " disse de contente o papa
Ao vêr as chagas de cristo a tomar conta do mapa
E em paga dos meus serviços ali fui feito feitor
E eis tudo o que passei só por um crime de amor

Refrão

domingo, junho 13, 2004


Cabo Sim Cabo Não


Carlos Tê / Rui Veloso


Para lá do cabo não limite da criação
Fica o mar das trevas onde não foi mouro nem cristão
Vou rumar ao turbilhão de brumas e macaréus
Passá-lo é minha missão já me encomendei aos céus

Para lá do cabo não vou e voltarei ou não

A sul passei muitas léguas com o deserto a par
Anotei ventos e àguas na carta de marear
Até que surgiu outro cabo bramindo como um trovão
De treva cem vezes pior que a treva do cabo não

Para lá do bojador vou e voltarei ou não

Era um mar caldo de enxofre que rugia furibundo
Tragando barcas e homens até ao limbo do mundo
Estava guardado para mim ir buscar toda a coragem
Conter a bordo o motim e pôr de pé a marinhagem

Para lá do bojador vou e voltarei ou não

Passei a ponta medonha e o mar era só àgua e sal
Mas na costa mais areia e de vivalma nem sinal
Cabotamos mais abaixo ao correr da areia e do tempo
Rumo à estrela do sul para lá do cabo branco

Para lá do cabo branco vou e voltarei ou não

Um dia já tão cansado de cabo não cabo sim
Vi um belo cabo verde que ao deserto punha fim
Com gente da côr mais negra sem temor nenhum a deus
E vi rios de àgua doce e o verde ia até aos céus

Para lá do cabo verde vou e voltarei ou não

sábado, junho 12, 2004

Este é o segundo poema que vos deixo retirado do album "Auto da Pimenta", de Rui Veloso, edição comemorativa dos 500 anos dos Descobrimentos Portugueses. Conto aqui postar diáriamente, a partir de hoje, os restantes. Na verdade, este é o 1º tema do album sendo "São Miguel" o 2º. Por razões que, me parecem óbvias, alterei a ordem.

Para quem não se lembra, existiu à época uma enorme polémica acerca da escolha de Carlos Tê e Rui Veloso para escreverem estes textos. Muitos dos intelectuais e pseudo intelectuais, onde se enquadram, Carlos do Carmo, Simone de Oliveira, Ruy de Carvalho, Izabel do Carmo, Nuno da Câmara Pereira, José Hermano Saraiva, José Matoso, Jaime Nogueira Pinto e outros que agora não me lembro, achavam que se deveria editar um disco de fado. Por mim só posso dizer que ainda bem que assim não foi.


Sete Partidas

Carlos Tê - José S. Martins / Rui Veloso


Ouço uma voz que me canta velhas canções esquecidas
E embala o meu sonho num cais de sete partidas
Como água morrente no longe vai e vem o madrigal
Provença que soas ainda nas noites de portugal

Viajantes de alexandria mostram laca e seda fina
Ouro pimenta e marfim porcelana e musselina
Falam do preste joão dizem do seu paradeiro
Aos altos da etiópia vou mandar um mensageiro

Acordo todas as manhãs com ecos dessa canção
Sete partidas cinco chagas vãs águas morrente e sião
Cantiga de amigo provença no coração
Embala o meu sonho e leva-me ao preste joão

Canção que trazes aromas de alóes e benjoim
Aponta na minha carta onde se cheiram coisas assim
Para lá da núbia doirada para lá dos dardanelos
Na pérsia na india encantada até aos rios amarelos

Vejo passar caravanas na língua dos mercadores
E as cidades italianas brilham em seus esplendores
Tenha eu a certeza do que me canta essa voz
E um dia génova e venza hão-de ouvir falar de nós

Acordo todas as manhãs com ecos dessa canção
Sete partidas cinco chagas vãs águas morrente e sião
Cantiga de amigo provença no coração
Embala o meu sonho e leva-me ao preste joão.

sexta-feira, junho 11, 2004

São Miguel
Carlos Tê / Rui Veloso

A oeste de finisterra ficam as ilhas perdidas
Disse-me um corso galego que um dia as viu e perdeu
As velhas cartografias também o dizem assim
Como ter fortuna de as achar no mar oceano sem fim?

Vinha um dia das Canárias ao largo com vento a favor
Seguimos o voo das aves que tomamos por açores
Até que ouvi do mastaréu a voz rouca do gajeiro
Terra à vista lá ao longe no meio do nevoeiro

Ó que ilha tão formosa
Pisei ao sair do batel
Dei-lhe então nome de santo
Em dia de São Miguel

quinta-feira, junho 10, 2004

Porque hoje é o Dia da Raça



Carlos Tê

terça-feira, junho 08, 2004

Ode à Paz

Pela
verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa
passar a Vida!

Natália Correia

quinta-feira, junho 03, 2004

"Wish You Were Here"

So, so you think you can tell
Heaven from Hell, blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year,
Running over the same old ground.
What have we found? The same old fears.
Wish you were here...

Roger Waters (Pink Floyd) 1975