segunda-feira, setembro 12, 2005

Poema para uma ideia de tempo

Sabes do peso das folhas
quando caem
no Outono
Sabes das cinzas
que sobem pelo céu
da boca do vulcão que acordou

Tens a pintura dos anos
No corpo que envelhece
Todo o teu corpo
Entre a vida e a morte
Entre o início e o fim
Entre mar
Mundo
Universo

Sabes do Big-Bang
e do espaço que se expande
Sabes de uma teoria
e de buracos negros
e cordas

Sabes da areia que se esvai no diminuto aperto da ampulheta

Sabes do ritmo da música
e de ondas que andam os oceanos

O evaporar do poema

A história
Dos homens
De nascimentos, mulheres
Paixões que se imortalizam em deixas de teatro
Ódios, que criam guerras
Que criam lágrimas
Nos olhos do soldado que é abatido na trincheira
em mil novecentos e dezassete

Sabes também que a tua voz é como uma folha de Outono
E que um poema tem apenas a eternidade dos olhos de quem o lê.


Pedro de Mendoza

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