quinta-feira, setembro 30, 2004

Saudade em Barcos Pretos

Relembra-me o toque dos teus passos
no soalho da nossa casa.
Talvez esta saudade doesse menos;
Talvez a porta se voltasse a abrir e
Fosses (mesmo que apenas)
Um viajante, um hóspede,
um amigo, a quem,
Pudesse contar os meus segredos.

Relembra-me o som da tua voz ao telefone
A desejar-me os bons anos.
Os parabéns. O Feliz Natal.
Talvez a tua ausência desaparecesse.
Talvez a minha solidão diminuísse.
Relembra-me a cor do mar pelos teus olhos,
Os barcos, as cidades,
As pessoas,

Relembra-me os passeios, as lagoas,
os portos de chegada
O teu abraço.
Relembra-me a vida como era,
Talvez eu pudesse escrevê-la e mudá-la:
- Partidas e viagens nunca ausentes,
A solidão trocada por encontro.
E tudo era feliz. Claro e constante.

Não mais
partidas vãs que só desgraçam
A dor, que vem pelo dorso da minh´alma.
Não mais
Morrer-me a mim em cada instante,
Levando-me a saudade em barcos pretos,
A todos os portos que conheceste.

Mariana Matos

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