Onde era a Vila com suas ruas e casas agora é o asfalto do aeroporto. Onde o Convento ainda a igreja e talvez sernalhas e ratos onde era a frescura do claustro. Já não se vê onde morou James Mackay e a Rua das Flores foi cortada ao meio. O Avelar pegou de cabeça e outros antes quiseram morrer que ver a morte, cater-pillars e bull-dozers matando a Vila. Mas onde tudo isso era e eles lá e os plátanos da Praça e as araucárias há cem anos guardando a paz das casas, agora pousam aviões e há franceses. Longe, numa cidade a que chamam Lisboa, a Vila rendeu não sei quantos mil milhões e mil nepotes sentam-se à mesa, empunham facas e garfos, comem-na, bebem-na, enfeitam-se, corneiam-se, vão pensando se outras vilas – «lá na Ilha» – ainda mais haverá para vender a japoneses ou russos ou turcos ou a um qualquer emir atomizado da Arábia ou de Marte ou de Casa-do-Diabo. Onde era a Vila não tem importância, nem James Mackay, nem o ...
AUTOPSICOGRAFIA O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração. Fernando António Nogueira de Pessoa
Pulvis es, et in pulverem reverteris “Sois pó e em pó vos haveis de converter”, vem esta passagem do livro do Gênesis a propósito da Quaresma e da caminhada que alguns de nós já iniciaram, outros já acabaram e outros ainda há que vão começar. A caminhada de penitência, fé e esperança do Romeiro de São Miguel que desde os primórdios (1522) até hoje sofreu muitas evoluções e involuções mas que se manteve um movimento de cristãos em busca da salvação orando a Deus por interceção de Maria Mãe de Jesus. Na Igreja de Santo António dos Portugueses ( Sant'Antonio in Campo Marzio) , na Cidade de Roma no ano de 1672, no seu “Sermão de quarta-feira de cinzas”, o Padre António Vieira acrescentou à frase bíblica as palavras memente homo , que significa: lembra-te ó Homem! Como uma exclamação recordatória de que todos somos insignificantemente mortais. Na verdade, muitos Cristãos como nós preocupam-se demasiado com a vida na terra, tratando dela como se fosse eterna qu...
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